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A Saúde mental dos (as) trabalhadores (as) sem trabalho




O trabalho ostenta uma gama de significados para os sujeitos. Nesse sentido, segundo Barros e Oliveira (2009), além do campo econômico ele caracteriza também um papel social, uma forma de inserção na sociedade, bem como é estruturante da organização social, como também de identidade e interação social dentre outros. Já Antunes (2005) nos relata que o mundo do trabalho tem sido vital para mulheres e homens e que através do ato laborativo, que Marx chamou de “atividade vital”, essas pessoas se diferenciariam de animais.

Logo, em vista dessa variedade de significado, pode-se presumir os impactos que o desemprego acarreta na saúde mental dos (as) trabalhadores (as). De acordo com Barros e Oliveira, (2009) pessoas em situação de desemprego possuem, com mais frequência e intensidade, sofrimentos relacionados à baixa autoestima, sentimento de vergonha e humilhação. O (a) trabalhador (a), no momento que vivencia essa experiência do desemprego, ainda segundo os autores, perde sua identidade social, perde seu status de “homem/mulher trabalhadora (a)”.

É perceptível nos programas policiais sensacionalistas de nosso país o discurso da maioria dos familiares das vítimas da violência, de evidenciar que a pessoa em questão possuía um trabalho, era um (a) trabalhador (a), denotando que ser trabalhador (a) possui um valor ético-moral. O pensamento cristão pode ser um corroborador dessa ideia. Antunes (2005), a respeito disso, afirma que o pensamento cristão sobre trabalho é entendido como um martírio e caminho para a salvação, dando sequência a um entendimento da questão do trabalho que por vezes é controverso. Então é frequente nos (as) trabalhadores (as) que se encontram em situação de desemprego, o sentimento de desamparo, exclusão e vergonha (Barros e Oliveira, 2009).

Além disso, a ideologia dominante culpabiliza o (a) trabalhador (a) por sua condição de desemprego, apontando que sua desqualificação ou falta de empregabilidade e proatividade é a razão para sua situação, logo, esse sujeito sofre pela falta material, perda de identidade e agora, também, pela responsabilidade de sua própria condição de desamparo (Barros e Oliveira, 2009). O que simplifica erroneamente uma temática complexa, excluindo aspectos históricos, sociais, políticos e econômicos vigentes em nossa sociedade que contribuem para a condição de desemprego de muitos.

No Brasil, no mês de junho de 2020, segundo Barros (2020), foram registrados 12,4 milhões de desempregados, atingindo assim 13,1% da população brasileira. Essa situação se agrava pelo contexto de pandemia do novo coronavirus (COVID-19) que, de acordo com Brooks e colaboradores (2020), aumenta a probabilidade de um quadro de ansiedade, disposição a depressão e afins. Corroborando para uma intensificação do sofrimento já proporcionado pelo desemprego

Em vista do exposto, é nítida a influência negativa do desemprego na vida dos (as) trabalhadores (as). Contudo, isso não quer dizer que quem não esteja desempregado não tenha sua saúde mental afetada. Conforme Pinheiro e Monteiro (2007), há nos trabalhadores (as) um medo imperativo do desemprego, da falta de seu “ganha pão amanhã”. O trabalho precário torna-se então uma forma de sobrevivência desses sujeitos, mesmo sendo contra sua própria vontade (Nardi, 2006). Assim, submetem-se a esse tipo de trabalho para não se tornarem mais um entre milhões que compõem a classe trabalhadora sem trabalho.




Referência
*Imagem: Ana Rayssa/CB/D.A




Pinheiro, L,R. Monteiro, J,K. Refletindo sobre desemprego e agravos à saúde mental. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. 2007. Disponível em: ,http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cpst/v10n2/v10n2a04.pdf

Antunes,R. O CARACOL E SUA CONCHA: Ensaio sobre a Nova Morfologia do Trabalho. Boitempo. São paulo. 2005.

Nardi, H,C. Ética, Trabalho, Subjetividade. Ed. UFRGS, 2006.

Barros, C,A. Oliveira, T,L. Saúde Mental de Trabalhadores Desempregados. Rev. Psico., Organ. Trab. v.9 n.1. Florianópolis. 2009. Disponível: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpot/v9n1/v9n1a06.pdf

Barros, A. Desemprego sobe para 13,1% e atinge 12,4 milhões na 4ª semana de junho. Agência IBGE notícias. 2020. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/28310-desemprego-sobe-para-13-1-e-atinge-12-4-milhoes-na-4-semana-de-junho

Brooks,S,K.Webster,R,K.Smith,L,E.Woodland,L.Wesseley,S.Greenberg,N. Rubin,G,J. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence. The lancet,2020. Disponível em: https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S0140-6736%2820%2930460-8

1º de Maio: A classe trabalhadora hoje tem algo a comemorar?


Em 1º de maio de 1886 nos Estados Unidos trabalhadores iniciaram uma grande greve na busca pela redução da absurda carga horária que era imposta à classe trabalhadora da época. O governo vigente respondeu com violência aos apelos de milhares de trabalhadores em todo o país. Prisões arbitrárias, julgamentos controversos e logo a morte de operários sindicalistas. Em Paris, em 1889, a segunda internacional homenageia os trabalhadores mortos, conhecidos como os mártires de Chicago, e institui o 1º de maio como o dia do trabalhador. No Brasil, segundo Silva e Ribeiro (1995), a data foi oficializada em 1925, sendo, ao decorrer do tempo, experienciada de forma distinta. Ora com festejo e homenagem organizado por sindicatos e autoridades públicas, ora apenas com debates referentes ao salário e, posteriormente, com uma tentativa de volta às ruas, mas com repressão da ditadura na década de 60.
E quando falamos de hoje, o (a) trabalhador (a) tem motivos para comemorar? Vivenciamos neste momento a pandemia do novo coronavírus, a qual de acordo com a World Health Organization (WHO) (2021) até o dia 30 de abril de 2021 mundialmente eram 150.110.310 casos confirmados e 3.158.792 de mortos. É nesse cenário trágico que a classe trabalhadora se encontra. Abarrotada no transporte público, expostos (as) ao vírus que, em muitos casos, já foi fatal para algum ente querido, os trabalhadores lutam para não se juntarem aos 13,9 milhões de desempregados que o IBGE totalizou no quarto semestre de 2020. É negado às (os) trabalhadoras (es), que tanto contribuíram e contribuem para nosso país, auxílio na renda nesse momento tão desolador no qual muitas (os) perderam seus empregos em vistas das medidas de distanciamento social tão importantes para o combate ao vírus. Vimos nos noticiários trabalhadoras domésticas serem acusadas de trazerem o vírus para a família de seus patrões, serem infectadas e morrerem sem a presença da família, não podendo realizar completamente os rituais religiosos e/ou  de despedida de seus entes em seus últimos momentos.
Diante da crise sanitária, social, política e econômica em virtude da Pandemia, estamos vivenciando mudanças bruscas em nossa relação com a vida, com os outros e com nós mesmos. O trabalho, atividade que sempre ocupou lugar central nas vidas de muitas pessoas, hoje para uma minoria pode ser motivo mantenedor de equilíbrio frente ao caos e sensação de desamparo que se vivencia no mercado laboral. Infelizmente, temos percebido que para a maioria da população a situação está sendo bem desafiadora. Dificuldades de adequação ao home office, o medo de continuar saindo para trabalhar com o vírus em circulação, ou pior, ficar em situação de desemprego. Essas são algumas de muitas situações diferentes em que os trabalhadores se encontram hoje. Sem saber o que se pode esperar do futuro, como manter o equilíbrio e reagir a isso tudo? Acreditamos que essa é uma luta coletiva e contínua, como sempre foi! É importante entender que estamos vivenciando um problema complexo e que está fora do controle individual e que exige ações coletivas. Apesar de estarem em situações diversas, há uma reestruturação e intensificação laboral comum a todos os trabalhadores e desempregados, de todos os diferentes setores. Pode essa, ser uma possibilidade de fortalecimento do sentimento de coletividade e cooperação social da classe que vem sendo enfraquecida pelas engrenagens do capitalismo? Essa cooperação é forte o suficiente para gerar uma resistência da classe trabalhadora nesse contexto de crise? Qual o poder dela diante das mudanças no mundo do trabalho que ocorrerão no pós Pandemia?
Hoje, temos que fortalecer a ideia de que a luta e a mudança da realidade laboral são ações coletivas e que precisamos nos unir para cuidarmos de nossa saúde mental também enquanto coletivo.

A classe trabalhadora hoje tem algo a comemorar?

Referência 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desemprego 2021 Disponivel em: https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php acesso: 28/04/2021

NASCIUTTI, Jacyara Rochael. Pandemia e perspectivas no mundo do trabalho. Caderno de Administração, v. 28, n. Edição E, p. 82-88, 2020.

World Health Organization (WHO). Who coronavirus (COVID-19) Disponivel em :https://covid19.who.int/ Acesso: 01. Mai 2021.

Trabalho doméstico na pandemia: Após o almoço no home office, de quem é a louça?



Em dezembro de 2019 foi identificado um novo tipo de vírus que muitos países não estavam preparados para enfrentar. Autoridades governamentais do mundo orientaram aos seus cidadãos e cidadãs, que potencialmente tiveram contato com a infecção, que permanecessem em suas casas em quarentena (Brooks et al., 2020), para que não houvesse uma maior disseminação do até então desconhecido Coronavirus. A partir desse cenário, visou-se a implementação de home office em várias empresas. Ou seja, os trabalhadores e trabalhadoras iriam exercer suas atividades de modo remoto em suas casas. Antunes (2020), coloca que tal prática se caracteriza quase como um verdadeiro "laboratório de experimentação” advinda do avanço informacional-digital que não é atual, mas que vem se intensificando com o tempo. O autor ainda afirma que a prática dessa forma (home office) traz alguns aspectos como: individualização do trabalho, menos práticas solidárias e coletivas no espaço de trabalho, fim da separação da divisão tempo de trabalho e tempo de vida, dentre outras que no ponto de vista do capital são vantajosas para os empresários.

A duplicação e justaposição entre trabalho produtivo e reprodutivo, no home office, segundo Antunes (2020), incide no aumento do trabalho feminino nos lares brasileiros que, agora, em vista da pandemia, se fazem também “escritórios”. Em 2019, 92,1% das mulheres realizaram atividades domésticas, contra 78,6% dos homens (IBGE, 2019). A pesquisa considerou como tarefas domésticas atividades como: preparar ou servir alimento, arrumar a mesa, lavar a louça, cuidar da limpeza, cuidar dos animais domésticos, fazer compras e demais atividades feitas no lar. Com relação ao cuidado de pessoas, entendido pelo IBGE (2019), dentre outras ações, como o auxílio nos cuidados pessoais e nas atividades educacionais, 36,8% das mulheres afirmaram realizar essas atividades e 25, 9% dos homens cumprem o mesmo trabalho. Além disso, Brooks e colaboradores (2020) trazem que a experiência da quarentena pode trazer para as pessoas danos críticos à saúde mental, sintomas graves de depressão, estresse pós-traumático, raiva e baixo rendimento no trabalho. Contudo,como estamos vendo, a experiência da quarentena não é vivida igualmente entre homens e mulheres, sendo provável que dentro das residências brasileiras tenhamos, neste momento, trabalhadoras ainda mais adoecidas e sobrecarregadas com trabalho home office e o trabalho doméstico.

Esta pandemia, que outrora era apresentada, nas redes sociais e mídia, como “democrática, sem distinção de classe, raça e gênero”, distingue precisamente quem tem o direito, primeiramente ao emprego, em vista de que 14,6 milhões de brasileiros (as) foram afastados de seus empregos entre 24/05 e 30/05 (IBGE, 2020); e, também, os privilégios entre o trabalhador e a trabalhadora em regime home office. Pois, é sobre a mulher que o trabalho doméstico irá reincidir. Diferenciando profundamente a experiência da quarentena já tão danosa à saúde.

Porém, não se pode generalizar para todas as mulheres a vivência do trabalho doméstico como igual. Krúpskaia (1909-1910/2020) aponta que a mulher de posses transfere à empregada o dever do cumprimento dos afazeres de casa. Ainda assim, o trabalho recai para uma mulher, estendendo a relação de opressão. Pode-se observar algumas diferentes situações que muitas empregadas, em sua maioria negras, vivenciam nesse período de pandemia. Muitas foram demitidas pela crise instaurada, e até mesmo, pelo receio de serem vetores do vírus (DIEESE, 2020). Outras foram mantidas permanentemente sem poderem retornar a sua própria casa (ONU MULHERES, OIT, CEPAL, 2020). Também, houve as que se beneficiaram com ações governamentais na tentativa de manter o emprego de trabalhadoras que tiveram seus contratos suspensos ou salário reduzido, (DIEESE, 2020), uma alternativa para as famílias que não queriam demitir suas funcionárias. Ainda tiveram aquelas que não foram liberadas de seus trabalhos. Antunes (2020) nos lembra o caso de uma empregada doméstica que não foi liberada de seus serviços e foi infectada pela patroa que não a avisou que testava positivo para coronavirus, e que dias depois veio a falecer. Assim, ainda segundo Antunes, a produção social, que deveria atender às necessidades humanas-sociais, se entrega para a auto-reprodução do capital, tendo como consequência a “mercadorização da vida”. É negado às mulheres empregadas, pobres e negras o direito à quarentena. É imposto a essas trabalhadoras cuidados com sua saúde como de sua família, e ainda a realização das tarefas domésticas de sua casa e de seus patrões, tendo em vista que seu trabalho não oferece a opção home office. Ficando entre a exposição ao vírus e o desemprego em meio a uma devastadora pandemia.

Por fim, a fala de Krúpskaia sobre a hipocrisia do “respeito” pelo trabalho doméstico, no século passado, ainda se faz presente no século XXI, já que muitos que pronunciam esse respeito por esse trabalho jamais de fato o fazem (Krúpskaia, 1909-1910/2017). Segundo ela, enquanto a vida familiar estiver ligada a tarefas como limpar, cozinhar, educar os filhos e afins, o trabalho doméstico ainda recairá sobre a mulher, e aquelas que forem contra essa situação serão acusadas de não “amar” seus esposos e famílias. Ademais, como disse Silvia Federici em relação à falsa ideia de amor construída pelo patriarcado, (Tzul, 2017), tudo se faz por amor, que por amor se limpa e cozinha, mas esquecem de considerar que o que chamam de amor, não é nada mais que serviço não pago.

O tema do trabalho doméstico tem sido estudado no NUTRA, principalmente, sob a supervisão da pesquisadora Antônia Vaneska Timbó de Lima Meyer, professora substituta do curso de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE), coordenadora do Núcleo de Apoio Psicossocial à Comunidade da UECE (NAPSI) e membro do NUTRA. Recomendamos, para um maior aprofundamento do tema, a leitura de sua dissertação de mestrado intitulada “O lugar do trabalho reprodutivo: um estudo com donas de casa da cidade de Fortaleza”, defendida em 2018 sob orientação do prof. Cássio A. Bras de Aquino.





Nota: Apesar da discussão aqui abordada ser referente ao gênero Feminino, o texto foi redigido por um extensionista homem cis, com supervisão de sua orientadora, compreendemos a importância do protagonismo das mulheres e o local de reflexão e de mudança comportamental do homem cis na discussão. Estamos abertos ao diálogo e feedback de todas e todos.



* O termo quarentena se difere de isolamento,porque o último se caracteriza como isolamento da pessoa que já tenha sido contaminada pelo vírus, distanciando-se das pessoas saudáveis, (Brooks et al., 2020).

Imagem: Edilene Pereira, 41 anos. Toni Pires.

Fonte:


ANTUNES,R. Coronavirus: O trabalho sob fogo cruzado. 1. ed. São Paulo. Boitempo. 2020.


BROOKS,S,K.WEBSTER,R,K.SMITH,L,E.WOODLAND,L.WESSELY,S.GREENBERG,N. RUBIN,G,J. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence. The lancet,2020. Disponível em: https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S0140-6736%2820%2930460-8

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICO. Como ficou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda na Lei 14.020/2020(conversão da MP 936/2020). 2020.Disponível em: https://www.dieese.org.br/notatecnica/2020/notaTec243lei14.020_MP936.html


DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICO. Quem cuida das cuidadoras: trabalho doméstico remunerado em tempos de coronavírus. 2020. Disponível em: https://www.dieese.org.br/estudosepesquisas/2020/estPesq96covidTrabalhoDomestico.html

IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. 2019. Disponível em https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101722_informativo.pdf Acesso: 17/06/2020


IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua-COVID19. 2020 Disponível em: https://covid19.ibge.gov.br/ acesso: 18/06/2020


KRÚPSKAIA,N,K. Deve-se ensinar “coisas de mulheres” aos meninos? A revolução das mulheres, emancipação feminina na Rússia soviética. Boitempo. 2017.


ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A IGUALDADE DE GÊNERO E O EMPODERAMENTO DAS MULHERES – ONU MULHERES, ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO

TRABALHO – OIT; COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE – CEPAL.Trabalhadoras remuneradas do lar na América Latina e no Caribe frente à crise do

Covid-19. Disponível em: https://www.cepal.org/pt-br/documentos/trabalhadoras-

remuneradas-lar-america-latina-caribe-crise-covid-19.


TZUL, G. EL Patriarcado del Salario: “Lo que llaman amor, nosotras lo llamamos trabajo no pagado”. 2017. Disponível em: https://www.resumenlatinoamericano.org/2017/02/14/el-patriarcado-del-salario-lo-que-llaman-amor-nosotras-lo-llamamos-trabajo-no-pagado/

IDOSOS (AS) NO MERCADO DE TRABALHO




O período da vida comumente chamado “terceira idade” é ainda, muitas vezes, tido em nossa sociedade como um período de improdutividade, de decadência da força e da vida. Segundo Ramos, Souza e Caldas ( 2008) tais preconceitos derivam da falta de informação diante do potencial das pessoas idosas. Dessa forma, cria-se no mercado de trabalho uma estigmatização do envelhecimento como sinônimo de um processo degradante. Também podemos inferir que a falta de políticas públicas mais eficazes, tal como o déficit na fiscalização nas leis de proteção ao idoso fortificam a discriminação sofrida por essa população.

Os autores Muniz e Barros (2014) afirmam que pela lógica mercantil rígida, tão presente em nossa sociedade atual, parar de trabalhar traz danos profundos aos âmbitos profissional, familiar e social da vida do trabalhador. Assim, o sujeito velho é isolado da sociedade e, nesse momento, é atribuído a ele uma imagem de um ser improdutivo e impotente. Segundo as Organização Mundial da Saúde (OMS) (2005), o grupo composto por pessoas “mais velhas” é formado por pessoas com idade a partir de 60 anos, e espera-se que até 2025 o Brasil seja o sexto país com a maior população de idosos no mundo (33,4 milhões).

Em vista desse cenário de crescimento dessa população, é de grande importância a realização de discussões sobre a temática para a sua desmistificação e inclusive a realização de ações de preparação para a aposentadoria. Pois, de acordo com Ramos, Souza e Caldas (2008), embora por vezes o trabalho possa ser de alguma forma aversivo, sua perda promove um sentimento de solidão, angústia e até mesmo sentimentos destrutivos que podem, em última instância, levar à morte. Ademais, o trabalho continuado mesmo depois da aposentadoria, seja ele remunerado ou não, é um caminho trilhado por muito dos idosos hoje, tanto pelo benefício oferecido não suprir necessidades básicas, ou porque o aposentado é a fonte principal da renda da família (MUNIZ e BARROS, 2014) ou mesmo como uma forma de fortalecer o sentimento de pertença e integração social.

Ainda de acordo com os autores supracitados, com esse grupo de pessoas com mais de 60 anos adentrando no mercado de trabalho, quando conseguem, se fazem necessárias adequações tanto dos sujeitos quanto das empresas no processo produtivo que nem sempre é fácil para o indivíduo. Em vista das altas taxas de desemprego e, segundo Muniz e Barros (2014), por estarem inseridos num sistema capitalista que exalta o jovem e busca a extinção do velho, esses indivíduos se veem muitas vezes obrigados a aceitar a precarização e desvalorização diante de uma sociedade que tende a não valorizar sua experiência, a não protegê-lo e também não cria políticas públicas para um acompanhamento dessa população que tende a crescer ainda mais.

Em vista disso, podemos observar que há contradições nessa relação do idoso no mercado de trabalho e que queremos evidenciar em uma primeira discussão aqui no blog. Se por um lado, o idoso pode ser percebido como um corpo velho improdutivo e isolado, não se pode negar que, muitas vezes ele é o provedor da renda familiar e, em muitas situações, a sua experiência é essencial na solução de situações e conflitos laborais mais complexos. As altas taxas de desemprego, que os economistas neoliberais, segundo Nardi (2006), chamam de “taxa natural” do desemprego, são uma ferramenta de pressão perante, em específico aqui discutido, o (a) trabalhador (a) velho (a). Esses, portanto, mesmo sem conseguir dar continuidade ao seu trabalho e por ser a renda fundamental no seio familiar, adentram ao trabalho informal (MUNIZ e BARROS, 2014). Tais aspectos são característicos da globalização, que tende ao sucateamento de políticas sociais para um “possível” crescimento de acordo com a lógica neoliberal (NARDI, 2006).

Esses processos são bem conhecidos da população, mesmo que o teor político não seja percebido em um primeira momento. Tais ações de ataque aos trabalhadores, mais especificamente, velhos podem ser encontradas em produções da sétima arte, como no filme “Eu, Daniel Blake” que conta a história de um artesão que após um ataque cardíaco começa uma batalha contra o sistema de benefício social. O filme aborda questões aqui já discutidas de forma sensível, porém, deve-se lembrar que ainda assim é uma obra ficcional e comercial. Mas que é de grande valia para os espectadores. É nítida a supervalorização do capital diante da vida da classe trabalhadora que tanto foi explorada em toda sua vida e no final da mesma não tem as mínimas condições de gozar a cultura, o lazer e o convívio familiar.

Também convidamos aos leitores do Blog a conhecerem projetos que promovem ações de promoção de saúde no trabalho como o “Projeto de Valorização do Aposentado” e “Projeto de preparação para a Aposentadoria” que fazem parte do “Programa Saúde e Bem-Estar no Trabalho” desenvolvido pela Coordenadoria de Qualidade de Vida no Trabalho da Pro-Reitoria de Gestão de Pessoas da UFC. Segue o contato para mais informações: coqvt.progep@ufc.br.



*Imagem retirado do site: eshoje.com.br










referências


Organização Mundial de Saúde (OMS). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; 2005. Disponível em <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/envelhecimento_ativo.pdf> Acesso em: 31 out. 2020.

Nardi,H,C. Ética, Trabalho, Subjetividade. Ed. UFRGS. 2006

Muniz, T,S. Barros, A. O trabalho idoso no mercado de trabalho do capitalismo contemporâneo. Ciências humanas e sociais.103-106. 2014. Disponível em: <https://periodicos.set.edu.br/fitshumanas/article/view/1079> Acesso em: 30 out. 2020.

Ramos, E,L. Souza, N,V,O. Caldas, C,P. Qualidade de vida do idoso trabalhador. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2008. Disponível em : <http://files.bvs.br/upload/S/0104-3552/2008/v16n4/a507-511.pdf> Acesso em 30 out. 2020.

A apropriação do Mindulness como espiritualidade do capitalismo, o Mcmindfulness.



Temos visto nos últimos anos, principalmente com a expansão da “profissão” de coacing (tema pra outro texto) um crescente discurso, dentro das organizações de trabalho, falando sobre o controle das emoções e inteligência emocional, o que não deveria ser algo ruim, mas, a forma como isso vem sendo tratado é que é o problema. Tem se colocado o controle ou a falta de controle das emoções como o centro dos problemas laborais, como se o fato de alguém desenvolver problemas dentro do ambiente laboral tais como estresse crônico ou depressão fosse responsabilidade desses indivíduos, porque este não tem controle sobre as emoções, o perigo disso é que esse modo de pensamento descartando totalmente o contexto aboral.


Nessa onda de culpabilização e responsabilização do trabalhador pelos problemas e patologias laborais surge mais uma moda revolucionária, o “McMindfulness” uma forma de derivação da prática espiritual mindfulness. “Mindfulness é um conjunto de técnicas e práticas que nasceu há séculos na Índia e o seu propósito não era apenas tirar o estresse e fazer com que as pessoas se sentissem um pouco melhor, mas percorrer um caminho espiritual que incluía muitas outras coisas além da meditação per si.” Um caminho de desenvolvimento ético e moral, que levava à sabedoria e à compaixão, contudo o “McMindfulness” é uma deturpação dessa prática, a secularização da técnica e o seu relativismo carente de uma base moral abriu uma série de usos duvidosos do mindfulness, chamados pelos seus críticos de “McMindfulness”, uma apropriação do capitalismo por “profissionais” charlatões que buscam responsabilizar única e exclusivamente o trabalhador pela sua qualidade laboral que ocorre quando o mindfulness é usado, intencionalmente ou involuntariamente, para propósitos egoístas e que melhoram o ego, o que contraria os ensinamentos budistas e abraâmicos para deixar o apego ao ego e desenvolver meios hábeis compassivos para todos.
 “O McMindfulness tem como objetivo reduzir o stress dos indivíduos, mas não se interessa pelas causas sociais do stress” é vendido como se fosse uma panaceia para qualquer estado mental de ansiedade. A prática de mindfulness não é indicada para toda a gente, e alguns estudos começam a mostrar que pode, aliás, causar ainda mais ansiedade e que a meditação tem efeitos adversos para algumas pessoas.
“Em vez de abandonar o ego, McMindfulness promove o auto-engrandecimento; a sua função terapêutica é confortar, entorpecer, ajustar e acomodar o eu dentro de uma sociedade neoliberal, corporativizada, militarizada e individualista, baseada no ganho privado”.

O McMindfulness tem como objetivo reduzir o stress dos indivíduos, mas não se interessa pelas causas sociais do stress. “No mundo empresarial, os cursos de mindfulness têm um grande apelo porque se converteram num método moderno para subjugar a inquietação dos funcionários, promovendo uma aceitação tácita do status quo, e numa ferramenta instrumental para manter a atenção focada nos objetivos empresariais”. O mindfulness, eles argumentam, precisa recuperar uma estrutura ética que vai além do ajuste individual a uma sociedade baseada no capitalismo de mercado que contribui para o stress e outras fontes de infelicidade.
As práticas do McMindfulness psicologizam e medicalizam os problemas é cego para o atual contexto moral, político e cultural do neoliberalismo. “Como resultado, não compreende que uma sociedade individualista, terapeutizada e mercantilizada é, em si mesma, uma grande geradora de sofrimento e angústia social”. Em vez disso, o melhor que pode fazer, ironicamente, é nos oferecer uma “cura” individualista e mercantilizada. Retira da empresa/organização a responsabilidade pelo estresse que esta causa no trabalhador e coloca-a nos indivíduos, por isso esta prática está sendo conhecida como a “espiritualidade do capitalismo”.
FONTE
http://visao.sapo.pt/atualidade/entrevistas-visao/2019-10-27-O-mindfulness-e-a-espiritualidade-do-capitalismo
https://verdademundial.com.br/2019/08/o-mindfulness-capitalista/
PARA REFLETIR
A apropriação e deturpação da prática de mindfulness nos mostra que, o mercado e o capital tem a capacidade de fazer uso de diversas armas para se manter, sem que tenha a necessidade de se modificar. É importante entendermos que o sofrimento no contexto aboral é diverso e amplo, responsabilizar somente o trabalhador por sua saúde laboral é no mínimo irresponsabilidade, por isso devemos ficar sempre atentos e informados para não reproduzirmos esse discurso.


Setembro Amarelo, trabalho e suicídio



Setembro é considerado o mês luta e prevenção do suicídio. O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. No Brasil, foi criado em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar à cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro). Entre as principais “causas” do suicídio estão os a distúrbios mentais, alimentares, depressão ou momentos de crise e estresse assim como o abuso, violência e perdas, além disso, as taxas também são altas em grupos que sofrem preconceito como refugiados, migrantes ou LGBT+.

Mas qual o impacto dessa companha dentro do contexto de saúde do trabalhador?

Como tentativas de suicídio estão diretamente ligadas a transtornos mentais, o ambiente laboral pode ser considerado tanto um fator de risco quanto de proteção ligado a isso.
O trabalho de um modo geral, seja enquanto atividade remunerada ou não sempre atribuiu sentido a vida do homem, com o passar das épocas a identidade e a dignidade do indivíduo passou a ser tanto moldada uanto fortalecida pelo trabalho enquanto atividade remunerada. Com as varias mudanças que o papel do trabalho foi sofrendo devido as mudanças que foram acontecendo na sociedade aumentou também a exigência e insegurança do trabalhador para poder dar conta de tudo que lhe é pedido, e, muitas vezes devido ao medo de perder o seu emprego esse trabalhador sse sujeita a situaões que podem causar ou agravar preuios a sua saúde mental.
Essa crescente onda de trabalho precarizado, flexível, fragmentado como reflexo principalmente do grande aumento no número de desemprego usa, frequentemente, a sistemática de controle e autocontrole do indivíduo, que desestrutura emocionaete os trabaladores podendo levá-os mitas vees a eaustao tanto corporal qanto emmocional
Junto disso, o cansaço decorrente dessa tensão e angústia deixa tais trabalhadores vulneráveis para o adoecimento mental, ou mesmo a piora desse quadro. Em decorrência disso, os índices desse tipo de adoecimento têm crescido ultimamente, assim como os afastamentos do trabalho por questões de saúde mental ou até mesmo de doenças e impactos físicos que acometem também o psicológico do indivíduo. De acordo com os dados da pasta federal, as notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho passaram de 122, em 2007, para 8.621 em 2017 – 60% das pessoas acometidas são mulheres, e 40%, homens.
Apesar de todos esses dados, a questão do suicídio relacionado ao trabalho ainda é um tema tabu e ignorado. Na realidade, quando se fala de saúde mental, muito se fala de questões individuais e pouco se fala de questões sociais e do trabalho. Discutimos muito a questão do indivíduo ter a necessidade de sobrevivência daquele trabalho, e até mesmo de sentido da vida. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais, sendo a depressão o mais comum deles, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias. Já o estudo do Ministério da Saúde aponta que muitos dos transtornos são provocados por variáveis encontradas no cotidiano profissional.
A esse quadro se acrescenta o incremento de atos de violência nas relações laborais, associado ao estímulo à competitividade e à instalação da indiferença com o sofrimento do outro. No marco das transformações, os trabalhadores se sentem isolados e solitários em coletivo, sem reconhecimento de suas potencialidades e criatividade, sem autonomia e liberdade.
Esses fatores são responsáveis pelo desencadeamento de diferentes e novas patologias que estão na base do estado de mal-estar, responsável pelo aumento de suicídios no e do trabalho, mostrando a nova estética da violência em um mundo do trabalho globalizado, no qual o corpo do suicida contém pistas e histórias, sobre o mundo do trabalho, que não foram reveladas.
Além de outros desdobramentos que são perceptíveis na falta de produtividade, de motivação e na falta de engajamento nas atribuições, além dos problemas de saúde, dentre elas, a depressão “Situações de estresse e depressão, muitas vezes, podem ser intensificadas pelo ambiente físico no qual as pessoas frequentam”.
Os homens são a maioria quando se fala em mortes por suicídio: eles representam 79% dos casos. No entanto, as mulheres ocupam o triste primeiro lugar no número de tentativas: dados do Ministério da Saúde apontam que, das 48.204 pessoas que tentaram tirar a própria vida entre 2011 e 2016, 69% era mulheres e 31% homens.
As campanhas te se mostrado muito importante no contexto de abrir um espaço de fala sobre o assunto possibilitando uma maior sensibilização desse trabalhador ou do empregador sobre o assunto, através da informação é possível eu pessoas próximas possam perceber mudanças no comportamento de colegas de trabalho

Fonte
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/09/02/setembro-amarelo-entenda-a-campanha-de-prevencao-ao-suicidio.htm
https://www.metropoles.com/brasil/saude-br/disturbios-no-trabalho-estimulam-tentativas-de-suicidio-2
Para Refletir
Diante desse quadro devesse leva em consideração fatores eu podem servir de proteção para que o suicídio não seja um fim em si mesmo. Os fatores protetores na prevenção do suicídio podem incluir um bom suporte familiar, prática de exercícios físicos, alimentação saudável, boa higiene do sono, estabelecer limites, não sobrecarregar-se, aprender a dizer ‘não’, gerir o estresse, além de acesso a serviços e cuidados de saúde mental”. Como uma alternativa individual mas o mais importante é buscar ajuda o mais rápido possível.
Outro braço de atuação são as campanhas de prevenção do suicídio e apoio emocional. É preciso dar espaço para debater o tema. “Um dos maiores problemas na prevenção é o silêncio, então só de se trazer dados confiáveis já há uma redução nos riscos. Muitas vezes relatar problemas emocionais pode ser considerado um sinal de fraqueza, fazendo com que as pessoas reprimam as suas emoções e não se exponham, aumentando também o risco”, comenta Correia.
Seja quem estiver enfrentando pensamentos suicidas – você, um colega de trabalho ou um subordinado –, o apoio é fundamental para superar essa tempestade.

Trabalhadores de aplicativos. A precarização e seus impactos.


O Brasil hoje tem, cerca de 13 milhões de desempregados segundo dados recentes do IBGE (IBGE, 2019), com isso tem se percebido um aumento considerável no número de pessoas que tem recorrido ao trabalho informal como forma de conseguir seu sustento diário. Esse tipo de trabalho sempre foi uma realidade para o brasileiro de forma geral, visto que não há vagas no mercado de trabalho formal para todos, por isso nos últimos anos as buscas pela atuação no mercado de trabalho informal mostrou-se como uma alternativa para esse público, que não conseguiu sua colocação nos meios formais ou mesmo para os que buscam um complemento de renda e essas possibilidades ainda foram foram atualizadas com o surgimento e aumento das plataformas digitais de serviços. 

As plataformas digitais tem se mostrado como alternativa de trabalho acessível e um meio de conseguir dinheiro “rápido”, isso se dá devido ao grande montante de usuários que recorre a elas pela comodidade que proporciona, esse crescimento traz consigo também a necessidade de pessoas para fazer o trabalho necessário para ela existir. Os trabalhadores que recorrem a essa meio de trabalho, o fazem devido ao fato que essas facilitam o acesso a dinheiro em tempos de crise, e também pela ilusão presente de que este trabalhador não tem patrão, formando um trabalhador just in time, aquele que cumpre a demanda que surge e ganha de acordo com seu trabalho.

Isso pode ser interessante num primeiro momento, pois aquele que estava desempregado há um tempo irá conseguir dinheiro para pagar suas contas, contudo a desvantagem que esse tipo de trabalho tem trazido consigo é o agravo do estado de precarização laboral, a realidade que se apresenta é que esses usos das tecnologias vêm precarizando as relações de trabalho através da sedução de, por exemplo, uma ilusória ideia de liberdade por não ter patrão. “Ao mesmo tempo em que se livra do vínculo empregatício, a uberização (precarização) mantém, de formas um tanto evidentes, o controle, gerenciamento e fiscalização sobre o trabalho”, sem mesmo proporcionar alguma segurança para este trabalhador, estas relações de trabalho segundo Aquino (2008), estaria demarcada por formas cada vez mais frágeis de inserção e permanência no mundo do trabalho. 

Devido a essa realidade precária das relações de trabalho desse trabalhador digital, e o fato deste só ganhar pelo que trabalha, sem direitos adicionais, muitos destes trabalhadores tem se sujeitado a trabalhar várias horas do dia, sem descanso semanal ou mesmo sem nenhuma qualidade ou saúde para conseguir realizar sua atividade laboral, visto que até os veículos utilizados para a realização das tarefas na maioria das vezes pertence ao próprio trabalhador ou a terceiros, esse contexto tem gerado grande o número de acidentes e incidentes relacionados a esses trabalhadores, tais como acidentes no percurso devido à grande carga de entrega ou carga horária elevada, o que acentua no cansaço desse trabalhador ou prejuízos para os trabalhadores devido a perda ou roubo dos veículos utilizados nesse trabalho que é de responsabilidade dos trabalhadores,  entre outras coisas que acarreta prejuízos na saúde desse trabalhador.

Um trabalhador formal está sujeito às mesmas adversidades presente que pode se apresentar nessa forma de trabalho digital informal, mas a diferença gritante que percebemos aqui é a de que, quando algo acontece com alguns desses funcionários digitais, eles mesmos terão que arcar com o ônus do ocorrido, visto que as empresas para qual estes prestam serviço na sua grande maioria não se responsabilizará por essas questões, pois o trabalhador é “seu próprio chefe” seguindo o discurso do empreendedorismo, ao mesmo tempo essas grandes empresas ganham uma porcentagem significativa em cima da atividade desse trabalhador, com isso percebemos que há um desequilíbrio nessa balança e os trabalhadores acabam arcando com todos os prejuízos dessa relação de trabalho.


Para compreendermos esse fenômeno da crescente uberização do contexto laboral, é necessário, uma visão mais ampla dos contextos existentes, e buscar compreender isso é também um exercício de empatia para com esses trabalhadores digitais que estão dispostos a atuar nesse contexto e se submeterem a condições de trabalho que não apesentam quase que nenhuma segurança para a realização de suas tarefas. Ao fazermos esse exercício podemos perceber que o contexto laboral pode sim ser tanto um fator de proteção, que ajudará a melhoras a vida desse trabalhador, quanto um fator de risco, trazendo um adoecimento ou agravando se esse contexto não oferece para o seu funcionário uma forma digna e decente de desenvolver seu trabalho. 

FONTE: 
https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2019/03/29/internas_economia,1042184/brasil-tem-13-1-milhoes-de-desempregados-ate-fevereiro-revela-ibge.shtml
http://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/6826-uberizacao-traz-ao-debate-a-relacao-entre-precarizacao-do-trabalho-e-tecnologia 
http://webcache.googleusercontent.com/searchq=cache:P8UeDdVDAAwJ:seer.uece.br/%3Fjournal%3Dopublicoeoprivado%26page%3Darticle%26op%3Ddownload%26path%255B%255D%3D140%26path%255B%255D%3D211+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

PARA REFLETIR 
O número de pessoas que tem recorrido ao trabalho informal através das plataformas digitais de prestação de serviços aumentou bastante, devido a diversos fatores, porem a precarização que acompanha esses trabalhadores traz consigo diversos problemas, tais como, a falta de suporte do aplicativo para com esse trabalhadores em caso de doença, a falta de estabilidade e segurança no trabalho, a falta de compromisso por parte das grandes empresas donas dos aplicativos, etc. Isso tudo somado a insegurança na prática do trabalho pode trazer grandes prejuízos para esse trabalhador, por isso são necessários questionarmos essas novas práticas laborais, questionarmos esse novo modelo de emprego que tem crescido e como tudo isso tem afetado a saúde desse trabalhador, para que possamos pensar em alternativas mais humana de trabalho e emprego.